Desconstruindo Impossibilidades

Pseudo-Modelista. Feminista. Borbulhante;
[Flash 9 is required to listen to audio.]

Don’t Need You, Bikini Kill;

2 days ago - 9

(Source: marchadasvadiaspoa)

[Flash 9 is required to listen to audio.]

Ska-P, Mestizaje;

2 weeks ago
;

;

(Source: modestiaparte)

- Sobre Monogamia

Traição (ou melhor: relação fora do relacionamento) é errada. Ponto. Essa frase (completamente questionável) está presente na esmagadora maioria dos relacionamentos, sendo esses relacionamentos diversos: fixos ou não, formais ou não.

Mas essa frase não é questionada. Nos disseram que monogamia é sinônimo de relacionamento correto e nós acreditamos. Quem disse? A igreja, o capitalismo, a burguesia, mas isso já é repetido há tanto tempo que nos passa despercebido.

Não estou querendo dizer que a monogamia só existe por causa dessas instituições, mas que é uma maneira muito útil de encaixar as peças necessárias para a conclusão do chamado “Casamento Burguês”, onde, vale lembrar, a mulher é a mais prejudicada. Ainda hoje lhe é exigida a virgindade infinitamente mais que ao homem e mesmo quando já não é mais virgem, sabe que não deve ser “rodada”; o inverso acontece com o homem. É dela que se espera completa ‘fidelidade’, já que é de seu ventre que sairão filhos legítimos e, entre outras coisas, é ela quem deve perdoar a “animalidade masculina” em relação ao sexo, “pelo bem da família”.

Meus questionamentos sobre monogamia começaram, entre outras coisas, quando percebi que era comum para todxs que em algum momento da vida (ou em vários) nos atrairíamos por alguém e teríamos que sufocar isso, de uma maneira ou de outra. Perguntei para algumas amigas e a maioria me disse que tudo bem se seus companheiros desejassem outras garotas, desde que não fizessem nada. Algumas, por não estarem nessa situação atualmente, afirmaram que não se interessavam por ninguém quando estavam em um relacionamento.

Passei então a questionar meus sentimentos de culpa e remorso quando me sentia atraída por alguém que não meu companheiro, com isso questionava também qual era a fonte de meu ciúme em relação a ele.

Percebemos então que, mesmo libertárixs de esquerda e ateus, tínhamos os mesmos preconceitos, possessões e ciúmes que xs religiosxs a quem tanto apontávamos (a apontamos) por suas posições arcaicas. Éramos monogâmicxs ciumentxs porque era esse tipo de relacionamento que conhecíamos.

Acredito, sinceramente, que a monogamia possa funcionar com muita gente, mas não com todxs. Um relacionamento onde duas pessoas se respeitam mutuamente e optaram por se relacionar apenas entre si é um relacionamento monogâmico. Quando há essa opção – e percebo que não há – a monogamia não se torna um relacionamento “naturalmente” ciumento e possessivo, não faz das pessoas inseguras e desconfiadas.

Desconfiamos, tememos ser traídxs porque vivemos numa sociedade capitalista-cristã, baseada na propriedade: possuímos pessoas do mesmo modo que possuímos dinheiro e queremos que, assim como nossos objetos, “nossas pessoas” não tenham vontade própria. Não admitimos que despertem desejo em terceirxs, principalmente quando estão “sinalizadxs” com alianças no dedo e na cor correspondentes ao “nível” do relacionamento em questão: quando acontece trata-se de uma falta de respeito.

Até aí ““tudo bem“”, é muito fácil exigir posições de outrem (não que funcione, mas “o que os olhos não veem o coração não sente”, de fato, somos uma sociedade que gosta de viver na escuridão), mas e quando acontece com nós mesmxs? E quando somos nós que sentimos atração por alguém que não aquela pessoa que carrega nosso nome do dedo?

Questionamos ou simplesmente traímos? Contamos ou escondemos e tudo bem? Reprimimos, como se nada tivesse acontecido?

Conheço pessoas que, ao sentirem algo por outro alguém, pensam não amar mais x parceirx. Outrxs que só traem se não põem fé no relacionamento atual. Algumas pessoas agem por vingança e/ou desconfiança. Infelizmente muitas pessoas ainda agem e pensam conforme seu gênero (particularmente não conheço nenhum homem que, ao sentir desejo por alguém fora do relacionamento, sinta que não ama mais sua companheira. Aprendem logo que faz parte de sua natureza querer/gostar mais de sexo do que as mulheres) *.

Naturalmente homens e mulheres sentem as mesmas vontades sexuais, e se não as sentem (ou umx reprime mais do que x outrx), é decorrência de educações distintas e de uma sociedade que abre e fecha caminhos conforme seu sexo e não conforme suas aspirações e inclinações.

Outro agravante em relação às traições que acontecem entre xs “monogâmicxs” são os conselhos ambíguos:

Às mulheres aconselha-se o perdão, a conversa ou até mesmo o esquecimento: “Não se fala mais nisso”. Aconselha-se pensar (quando há) nxs filhxs, no “bem da família”. Nos casos mais asquerosos, culpa-se a mulher: “Ele foi procurar fora o que não tinha em casa”.

Ao contrário, os conselhos dados aos homens, quando não são de vingança, assassinato, são de humilhação, separação dxs filhxs, cria-se uma raiva que consome toda a família.

Esses conselhos ainda se baseiam em características “naturais” dos gêneros; como a já citada “animalidade masculina” para com sexo, mas também a “inclinação feminina à maternidade” e consequentemente ao sacrifício pelxs filhxs.

Prezamos mesmo a monogamia ou, na verdade, é a submissão da mulher que está sendo perpetuada?

Não quero, de maneira alguma, tentar provar que monogamia não existe ou que não funciona, ou que todos os casais monogâmicos estão insatisfeitos ou confusos, nem que TODAS as pessoas de esquerda e/ou ateias deveriam quebrar com a monogamia – nem conseguiria -, mas acredito sim que todo casal deveria se questionar, todos deveriam conversar (mais) sobre isso, expor seus limites e conhecer os limites dx outrx; TODOS, sem exceções. Esses limites, obviamente, vindos de questionamentos pessoais, tentando deixar de lado os valores pré-impostos da religião e/ou burguesia, perpetuadora de ideologias capitalistas. E se penso isso é porque vejo diversos casais terminando por ciúmes/traição, pessoas enganando umas as outras e pessoas sofrendo em relacionamentos que não correspondem totalmente as suas aspirações - tanto monogâmicos quanto poligâmicos -.

Quando um relacionamento é discutido e pensado as chances de dar certo são muito maiores. O ciúme é o causador de boa parte dos términos entre ex-casais que eu conheço e isso provavelmente não aconteceria se elxs estivessem abertxs à discussão, reformulação.

*Com casais exclusivamente homossexuais a discussão se torna muito mais complexa e ampla, por conta de papeis que se assumem ou não, sendo necessária uma discussão exclusiva. 

*O ‘x’ é uma maneira não sexista de fugir ao “plural masculino”;

-Sobre Maquiagem

Não gosto de maquiagem, não uso, não tenho nada: nenhum lápis ou base ou sombra. Não acho que as mulheres fiquem mais bonitas maquiadas e das poucas vezes que fui maquiada não me senti mais bonita. Particularmente sinto um peso no rosto.

Não gosto de maquiagem, meus motivos são diversos. Primeiramente porque é um dos principais produtos vendidos na indústria cosmética e essa indústria, riquíssima, diga-se de passagem, só sobrevive, nessas condições, enquanto a opressão estética baseada em padrões existir. Isso não é exclusividade dessa indústria: a da moda, a estética (da qual a cosmética faz parte, mas que também abrange cirurgias plásticas, academias, medicamentos/suplementos alimentares, cabelereiros e etc.) vivem dessa mesma opressão e, assim como a indústria tecnológica, sobrevivem vendendo o supérfluo.

Não gosto de maquiagem porque cria e perpetua padrões. A beleza é branca. “Combina com tudo”. Qualquer pessoa que tenha pelo menos uma amiga que se maquia já deve ter ouvido alguma variação de “quanto mais branca a pele, mais cor dá para usar”. Já ouvi diversas vezes garotas morenas ou negras dizendo: “ah não, essa cor não combina com minha pele”, eu mesma já o disse. Conheci pelo menos duas garotas, uma negra e outra descendente de índios, que eram (estavam) brancas nas fotos que usavam no avatar de redes sociais. A segunda usava lentes de contato azuis quando a conheci pessoalmente.

Não gosto de maquiagem principalmente quando vira rotina. Detesto ouvir alguma amiga dizer que não se reconhece no espelho sem maquiagem ou que não deixa o namorado vê-la de cara limpa.

Procuro ler esporadicamente esses sites que dão dicas às mulheres. Num deles foi perguntado às leitoras o que faziam para não deixar “apagar a chama” do casamento; as respostas publicadas foram diversas, mas uma chamou minha atenção, algo como: “não deixo que ele me veja ao me depilar ou enquanto tinjo meus cabelos brancos”.

Como a Lola disse essa semana, é muito útil para o Sistema que as mulheres gastem o tempo delas se preocupando com supostos quilos a mais ou no quanto é importante estarem bonitas.

Não gosto de maquiagem e sou feminista. Não sou feminista porque não gosto de maquiagem, sou feminista porque existe o machismo, patriarcado, capitalismo.

Não gosto de maquiagem porque é um produto supérfluo, presente dessa forma na vida das mulheres apenas porque dá dinheiro, porque vivemos numa economia capitalista.

Não desvencilho capitalismo de machismo, mas essa é a minha linha de raciocínio.

Eu não me acho mais feminista que você, caso essa não seja a sua linha de raciocínio, mas vou questionar sua posição, do mesmo modo que você é livre para questionar a minha.

- Sobre (falta de) opção

Faça do mundo um lugar sem gêneros pré-educados, com respeito e liberdade de escolha/expressão/sexual e só depois venha falar de “opção”.

Se eu não serei contratada numa empresa por não depilar as pernas, então não tenho “opção”.

Se eu não posso ir até a esquina com uma saia curta sem ter medo ou sem ouvir MUITA merda, então não existe liberdade.

Se quando ando sozinha sou vista como “disponível”; se andar sozinha à noite é um “convite”, então não existe liberdade.

Se quando eu aponto algo machista sou radical, extremista, então não existe liberdade de expressão.

Se não posso me manifestar sem ser coagida pela polícia, se não podemos beijar alguém do mesmo sexo que o nosso em público… Se não posso detestar maquiagem sem ser chamada de desleixada, se não posso subir de cargo sem que pensem que fiz sexo com o chefe, se sou menos mulher se não quero ter filhxs; não, não me venha falar em opção.

Vivemos numa sociedade que pré-estabeleceu cada passo de nossas vidas. Cada “desvio” tem como consequência uma repressão.

Não há opção: há desobediência, há resistência.

“Os costumes, as modas são muitas vezes utilizados para separar o corpo feminino da transcendência: a chinesa de pés deformados mal pode andar; as garras vermelhas da estrela de Hollywood privam-na de suas mãos; os saltos altos, os coletes, as anquinhas, as crinolinas destinavam-se menos a acentuar a linha arqueada do corpo feminino do que aumentar-lhe a impotência. Amolecido pela gordura, ou ao contrário tão diáfano que qualquer esforço lhe é proibido, paralisado por vestidos incômodos ou pelos ritos de boa educação, é então que esse corpo se apresenta ao homem como sua coisa. A maquilagem, as jóias também servem para a petrificação do corpo e rosto. A função do adorno é muito complexa: possui entre certos primitivos um caráter sagrado; mas seu papel mais habitual é completar a metamorfose da mulher em ídolo.”

Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo - Fatos e Mitos;

(Source: feminismoaqui)

Toda garota é uma Riot Grrrl;

Toda garota é uma Riot Grrrl;

(Source: neumot0rax)